Smeagol- personagem clássico da super premiada franquia de filmes Senhor dos Anéis (Adaptado com uso de IA).

Por mais moderna que seja a tecnologia atual, e mais diversas sejam as modalidades de investimentos, se tem algo que não mudou muito nos últimos milênios são os sentimentos e motivações humanas, e dentre estes está a ganância.

E nesse sentido eu gostaria de contar um fato que ocorreu num reino tão, tão distante. Era uma vez um banco de pequeno/médio porte que decidiu tomar riscos adicionais, captando um grande volume de liquidez do mercado via CDBs com promessas de retornos milagrosas. Os CDBs prometiam uma rentabilidade muito acima da taxa de Depósito Interbancário (DI), chamado  popularmente como CDI do mercado.

Obviamente, isso levantou uma especulação tremenda na sociedade à respeito da capacidade do tal banco ser capaz de honrar seus credores. Além disso, rumores surgiram duvidando da classificação de risco dos ativos desse banco, uma vez que essa é uma informação fundamental para o investidor avaliar a relação risco/retorno na tomada de decisão de comprar algum ativo.

No entanto, essas e outras dúvidas, (ou certezas por parte de alguns investidores mais experientes), apesar de estarem “circulando na praça”, não foram capazes de fazer com que a euforia de captação de novos valores e clientes no mercado terminasse, de modo que tal banco chegou a atingir o incrível número de aproximadamente 1,5 milhões de credores, capitalizando mais de 40 bilhões de unidades de dinheiro.

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E porque, mesmo diante de muitas dúvidas sobre a credibilidade do banco, muitos investidores continuavam a embarcar nessa aventura? Parte deles entravam por desinformação e ingenuidade, pois estavam fora das rodas de discussões sobre o mercado de capitais e das proezas que essa bolha é capaz de aprontar, outra parte dos investidores entravam por manobra de instituições financeiras que perfumavam e ofereciam seus ativos aos clientes num belo “pool” de produtos em suas plataformas. Contudo, havia uma parte dos investidores que estava completando ciente dos riscos e entravam porque sabiam da proteção que teriam do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em caso de liquidação do referido banco.

E advinhem só? De onde não se espera nada, é da onde não vem nada mesmo. E o Banco colapsou, sendo liquidado pelo Banco Central. Provavelmente, alguns dos credores que aportaram um valor abaixo de 250 mil unidades de dinheiro nesse banco sairão ganhando, mesmo após a sua liquidação, pois obterão resgate por estarem cobertos e elegíveis ao Fundo Garantidor de Crédito.  Entretanto, há também aqueles que, cegos pelas promessas milagrosas de retorno, fizeram apostas muito altas, e tiveram um prejuízo significativo.

Após o óbvio acontecer, discussões começaram a surgir sobre a necessidade de se alterar as regras do jogo para que novos “dealers” aventureiros não se sintam encorajados a replicar esse modus operandi e conquistar mais vítimas, usando pra isso o FGC, criado originalmente para dar confiança e credibilidade ao sistema financeiro, e não para ser objeto de especulação.

E os demais bancos que vão levar prejuízo devido à necessidade de repor o FGC? Provavelmente vão aumentar o spread bancário, as taxas e juros de seus produtos, no médio e longo prazo. Portanto, os prejuízos desse colapso provavelmente serão compartilhados pelos correntistas dos demais bancos ao longo dos próximos meses.

Por fim, essa fábula mostra como apostar na ganância humana é algo rentável não só hoje, mas desde os tempos remotos, pois ela é uma isca velha que sempre está pescando novos peixes, às vezes de um a um no molinete, às vezes em cardumes pela rede, infelizmente. Essa é uma história que reforça a boa tese popular de que: “se a esmola é demasiada, o santo desconfia”. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência! Estejam atentos meus galáticos 🫡

Valdemar Almeida é professor, graduando em Economia, autor do e-book “Conforto Financeiro” que traz uma visão realista e prática das finanças para se buscar o bem-estar financeiro longe de promessas milagrosas. Se curtiu o conteúdo, inscreva-se na newsletter para acompanhar mais publicações, deixe dicas que são bem vindas e compartilhe essa mensagem a quem precisa.


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