Escrito por: Guilherme Vasconcelos

Quando se fala em política, é muito comum que os jovens associem o tema com a ideia de ser candidato, disputar eleições ou ocupar um cargo eletivo. Essa percepção acaba afastando uma parcela significativa da juventude da participação política e das discussões locais, como se fazer política fosse algo restrito a campanhas eleitorais, partidos e mandatos. O resultado é um sentimento generalizado de descrença e distanciamento em relação ao Estado.
Essa visão, no entanto, é limitada. A política não começa nem termina nas eleições. Ela se constrói diariamente no funcionamento do Estado, nas decisões técnicas, administrativas e institucionais que moldam as políticas públicas e afetam diretamente a vida da população.
A política se manifesta de forma concreta na estrutura estatal. Orçamentos são elaborados, políticas são planejadas, programas são executados e avaliados por profissionais que, muitas vezes, não ocupam cargos eletivos. Economistas, gestores públicos, analistas, servidores e técnicos compõem o que Max Weber chamou de burocracia, entendida não como sinônimo de ineficiência, mas como um elemento central da racionalidade do Estado moderno. Para Weber, é essa estrutura que garante previsibilidade, continuidade e organização à ação estatal.
Reduzir a política apenas à figura do político eleito ignora que boa parte das decisões que moldam a sociedade passa por esses espaços técnicos. Um mandato pode durar quatro anos; já uma política pública bem estruturada pode produzir efeitos por décadas. Nesse sentido, os bastidores do poder são, muitas vezes, tão ou mais relevantes do que o palco principal.
Norberto Bobbio contribui para esse debate ao destacar que a democracia não se sustenta apenas pelo direito ao voto, mas também pela participação efetiva da sociedade nas estruturas do Estado. Para o autor, ampliar a democracia significa ampliar os espaços de atuação e controle social, inclusive dentro da administração pública. Isso implica reconhecer que a política não se limita à escolha de governantes, mas envolve o modo como as decisões são formuladas e implementadas.

É justamente nesse ponto que a juventude precisa se enxergar. Muitos jovens desejam transformação social, justiça e desenvolvimento, mas acreditam que só poderão contribuir se forem candidatos ou militantes partidários. Essa crença ignora o potencial transformador da atuação técnica no setor público. Ocupar esses espaços é influenciar diretamente o desenho das políticas públicas, qualificar a gestão e disputar os rumos do Estado a partir do conhecimento e da técnica.
Além disso, a ausência de jovens nesses cargos contribui para a reprodução de estruturas engessadas, pouco inovadoras e distantes das novas demandas sociais. Quando a juventude se afasta do Estado, abre-se espaço para decisões desconectadas da realidade contemporânea. Participar da política, portanto, também é estudar, se qualificar e atuar profissionalmente na administração pública.
Pensar a política para além das eleições é reconhecer que o Estado é uma construção cotidiana. A democracia se fortalece não apenas quando jovens votam, mas quando compreendem que há múltiplas formas de participação política. Democratizar o acesso aos espaços técnicos, administrativos e de planejamento é ampliar a própria democracia e reafirmar que fazer política não é privilégio de poucos, mas uma responsabilidade coletiva.
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Guilherme Vasconcelos é graduando em Economia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e em Gestão Pública pelo Centro Universitário Internacional. Atua como assessor parlamentar, com experiência em projetos, políticas públicas e orçamento. Já teve artigos acadêmicos publicados na área de economia e dedica-se à educação política e à produção de análises sobre Estado, democracia e desenvolvimento.





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