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O Instituto Conhecimento Liberta (ICL) encomendou uma ampla e inovadora pesquisa de opinião sobre o Brasil, elaborada pela Ágora Consultores, uma empresa fundada em 2012, em Buenos Aires, com experiência internacional em mais de 15 países, sendo hoje um dos institutos mais renomados de toda a América Latina.

A pesquisa vai muito além dos moldes tradicionais, pois capta não somente opiniões quantitativas, mas também possibilita posicionamentos mais amplos, que envolvem polêmicas e dilemas morais em vários âmbitos importantes da sociedade, como segurança pública, emprego, entre outros temas sensíveis aos brasileiros.

Um dos dados mais curiosos, porém nem tão impressionante para quem está ligado no Brasil, é que o empreendedorismo é o maior sonho profissional do brasileiro (43%), especialmente entre homens jovens e mais pobres, com nível fundamental de escolaridade.

Fonte: Elaborada pela Ágora Consultores, encomendada e publicada pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL).



Curiosamente, embora os sucessivos governos petistas tenham implementado muitas medidas pró-empreendedorismo como leis estruturantes e programas de crédito para MPE/MEI, inclusive criando um Ministério focado em Micro e Pequenas empresas, o eleitorado não associa o ambiente de negócios a pautas de esquerda.



Porém, se você está achando que o desejo de empreender é exclusivo de pessoas que se identificam como “de direita”, saiba que 34% das pessoas que se identificam como de esquerda também preferem ter o próprio negócio a trabalhar para terceiros, seja no setor público ou privado.

Fonte: Elaborada pela Ágora Consultores, encomendada e publicada pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL)



Isso mostra que encarar o fenômeno do empreendedorismo como um simples espaço onde a “meritocracia domina” talvez seja uma simplificação ingênua e reducionista da realidade de milhões de brasileiros dignos, que estão na luta pela sobrevivência e por melhores condições de vida. É importante deixar visões anacrônicas e “academicistas” de lado e reforçar estudos sérios e atuais sobre esse tema, para que se criem projetos e alternativas de melhoria real na vida dessas pessoas.

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Além disso, o ambiente de negócios é visto, majoritariamente, como uma pauta “de direita” pelos brasileiros (65% dos entrevistados). Esses dados talvez ajudem a explicar o sucesso eleitoral e midiático de figuras como “Pablo Marçal” e “Primo Rico”, pessoas que trazem negócios e investimentos como pauta de discussão pública.

Nesse sentido, acredito que parte das pessoas que se intitulam “de esquerda” não percebeu que o desgaste das relações de trabalho motivou o trabalhador a buscar sua autonomia profissional. Além disso, com a uberização da economia, hoje há muitas alternativas via aplicativos em relação aos trabalhos mais maçantes como os empregos da área da construção civil, por exemplo.

Além disso, um estudo do SEBRAE (2023) mostrou que 70% dos “empresários” ganham até dois salários mínimos. Diferentemente do que muitos pensam no Brasil, a adesão ao empreendedorismo é, muitas vezes, uma tentativa de fugir de salários baixos e rotinas degradantes.

Fonte: site SEBRAE (2023), acessado em janeiro de 2026.



Além disso, a desindustrialização dos empregos no Brasil deu lugar ao setor de serviços e à informalidade, corroendo significativamente o sindicalismo, que é a tradicional base social política trabalhista. Sem contar que a Reforma Trabalhista promovida no governo de Michel Temer retirou a obrigatoriedade da contribuição sindical. Soma-se a isso o fenômeno da uberização da economia, que acelerou trabalhos autônomos mais flexíveis, ampliando o desmonte e perda de capilaridade social dos sindicatos no Brasil e obrigando essas entidades a se reinventarem.



Além do mais, as igrejas neopentecostais, em geral, incentivam a livre iniciativa privada, havendo muitos pastores, inclusive, amplamente conectados nas novas mídias digitais e ligados a temas e eventos sobre empreendedorismo e finanças. Portanto, essas igrejas constituem uma base social à direita semelhante ao que alguns setores da Igreja Católica (Teologia da Libertação) representaram para a esquerda na segunda metade do século XX, com as chamadas “Comunidades Eclesiais de Base”.

Outro fato bastante observável no contexto brasileiro é que muitos líderes de esquerda se institucionalizaram e envelheceram com a ascensão do Partido dos Trabalhadores e demais partidos aliados ao poder, e as formações políticas internas ocorreram com base em alianças e coalizões diversas que enfraqueceram programaticamente o partido. Além do mais, faltou formação e sucessão de lideranças nas mais diversas frentes da esquerda brasileira (movimentos sociais, sindicatos, partidos etc.), fato que ficou perceptível na dependência da esquerda em relação ao carisma e popularidade de Lula nas últimas eleições presidências de 2022, e no vácuo de novas lideranças de amplitude nacional.

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Já na direita brasileira vimos movimentos pujantes e crescentes nos últimos anos, sobretudo a partir das manifestações de 2013, com novos e jovens líderes que souberam dialogar diretamente com anseios populares, sendo decisivos nas eleições para cargos eletivos no Brasil (inclusive a Presidência). É perceptível que o jovem passou a enxergar a esquerda como mantenedora do “status quo” social e a direita (com seu discurso mais radical anti-sistema) como uma válvula de escape para seus anseios de transformação social.

Por fim, as pessoas no Brasil estão visivelmente atentas a pautas políticas que discutem a realidade pragmática de suas vidas, priorizando aquilo que “bota comida na mesa”. Nesse contexto nacional, também influenciado pela conjuntura internacional, despontou e se consolidou o empreendedorismo por necessidade e também como sonho de carreira, e tenho muita certeza de que essa pauta — na qual a direita surfa deitada — será decisiva também nas eleições de 2026.

Para citar esse artigo, copie e cole a referência abaixo:

ALMEIDA, Valdemar. “Empreendedorismo: A praia onde a direita surfa sozinha”. In: Jornada 360, alterado pela última vez em 02 de Fevereiro de 2026. Disponível em: <https://jornada360.com.br/2026/01/29/empreendendorismo-a-praia-onde-a-direita-surfa-sozinha/&gt;. Acesso em: 02/02/2026.

Valdemar Almeida é professor, graduando em Economia, autor do e-book “Conforto Financeiro” e entusiasta sobre como trazer tendências e informações econômicas que ajudam as pessoas a tomarem boas decisões. Se curtiu o conteúdo, entre para o grupo Jornada 360 para acompanhar mais publicações, deixe dicas que são bem vindas e compartilhe essa mensagem a quem precisa.


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