
Antes de mais nada, gostaria de dizer que não sou contra o casamento; inclusive, considero que seja uma das celebrações mais belas e simbólicas que existem. O casamento é uma das instituições civis mais resilientes ao longo do tempo, pois há relatos de sua existência desde a antiga Mesopotâmia, há mais de 3.000 anos a.C.
Além disso, há correlação e casualidade entre casamentos bem-sucedidos e sucesso financeiro, seja pela estabilidade emocional, pela divisão de custos fixos e responsabilidades, entre outros fatores.
Contudo, os dados mostram que muitas pessoas se precipitam na hora do casamento, promovendo festas sem planejamento ou realizando eventos desproporcionais ao nível de renda dos noivos.
Nesse sentido, percebo que um dos maiores motivos de endividamento entre recém-casados é realizar uma festa cedendo a pressões sociais, em vez de considerar o contexto financeiro e os planos do casal. Além disso, muitas pessoas acabam se comparando a outras que, geralmente, possuem uma estrutura financeira mais favorável, maior apoio familiar, ou uma profissão ou carreira mais estável.
Dessa forma, muitos noivos, sem patrimônio ou segurança financeira, assumem dívidas justamente no momento em que mais precisam de recursos: o início da vida a dois.

Uma pesquisa realizada pela LendingTree mostrou que a maioria dos casais (52%) se arrepende do valor gasto na festa de casamento. Além disso, 53% relatam crises conjugais geradas pelo endividamento, e 19% chegam a cogitar o divórcio por esse motivo.
Portanto, é importante que o casal, em primeiro lugar, busque alinhamento sobre o momento e as dimensões do evento. Se possível, deve-se reunir ao menos parte dos recursos necessários para evitar depender totalmente de empréstimos, que trazem riscos de atraso e, consequentemente, de dívidas que podem se transformar em uma bola de neve. Um casal que consegue fazer uma análise realista e racional de sua condição financeira, sem ceder a emoção enebriante do início da relação, tem maiores chances de tomar boas decisões que preservam o futuro da relação.
Além disso, é importante lembrar que o tempo médio dos casamentos no Brasil diminuiu de cerca de 17 para aproximadamente 13 anos (IBGE). Ou seja, torna-se cada vez mais relevante pensar em uma perspectiva de plano financeiro alternativo — mesmo dentro do casamento — ou considerar acordos pré-nupciais, que têm se tornado cada vez mais comuns nos casamentos contemporâneos.
Por fim, este artigo tem como objetivo trazer reflexões importantes, sem a intenção de interferir nas escolhas pessoais de ninguém. Se você chegou até aqui e pretende se casar com uma festa de casamento, espero que tenha a paciência necessária para planejar esse momento junto ao seu cônjuge, evitando que a dívida gerada por um evento tão marcante da sua vida se torne uma barreira para a felicidade da relação.
Valdemar Almeida é professor, graduado em Economia, autor do e-book “Conforto Financeiro”. Se curtiu o conteúdo, entre para o grupo Jornada 360 para acompanhar mais publicações, deixe dicas que são bem vindas e compartilhe essa mensagem a quem precisa.





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