É fato que a tecnologia alterou a forma como as pessoas se conhecem, se comunicam e se relacionam. Assim, as redes sociais ocupam um lugar fundamental no contexto atual, de tal forma que temos praticamente duas vidas paralelas: a real e a digital. Nesse sentido, o modo de fazer política não ficou imune a essas transformações, tendo em vista que o exercício da vida pública é uma prática essencialmente humana.

Contudo, se por um lado as redes sociais quebraram o monopólio da produção de conteúdo, antes restrito e concentrado nas mãos de grandes conglomerados de comunicação, por outro, trouxeram novos problemas e desafios que não podem ser ignorados.

As redes sociais, no contexto atual, foram projetadas para que seus usuários (clientes) permaneçam o maior tempo possível nas plataformas e, consequentemente, consumam cada vez mais conteúdos e produtos ofertados nesse ecossistema. Uma analogia simples é que as redes são os “shopping centers” do século XXI, onde a pessoa entra e recebe diversos estímulos sensoriais projetados para que permaneça nesse ambiente e consuma o máximo possível.

Nesse sentido, para favorecer o consumo, as redes são construídas aglomerando pessoas em grupos (clusters), a fim de que produtos sejam ofertados de forma mais eficiente e otimizada a esses públicos, aumentando a conversão em vendas dos anunciantes. Porém, essa aglomeração promovida pelos algoritmos forma aquilo que convencionamos chamar popularmente de “bolhas de pensamento”, pois favorece que pessoas convivam virtualmente com outras de características semelhantes, reforçando cada vez mais sua forma de pensar, em vez de serem expostas a debates qualificados e opiniões divergentes.

Desse modo, as pessoas passam a receber os mesmos conteúdos, ver os mesmos influenciadores e acompanhar as mesmas personalidades, reforçando continuamente seus vieses, em vez de serem estimuladas ao desenvolvimento intelectual e ao fortalecimento do senso crítico.

Além das bolhas, as redes são estruturadas para dar mais ênfase aos assuntos que geram maior engajamento, ou seja, aqueles que tendem a fazer as pessoas curtirem, comentarem ou compartilharem conteúdos. Nesse contexto, surge outro problema: no campo político, os temas mais sensacionalistas acabam tendo mais visibilidade do que aqueles que são, de fato, relevantes para o país. O debate qualificado é deixado de lado em favor de vídeos curtos com promessas milagrosas, que frequentemente manipulam a legítima revolta da população em relação ao poder e às instituições. Além disso, as fake news circulam mais rapidamente do que as notícias verdadeiras, pois a realidade opera em um ritmo mais lento e menos interessante que a ficção construída pelo discurso fácil ventilado nas redes sociais.

Outro grande problema é a valorização crescente de conteúdos cada vez mais curtos. Embora isso possa ser positivo para a divulgação de produtos ou eventos, gera prejuízos significativos na construção de conhecimentos sólidos em áreas que exigem profundidade, como política, ciência e temas técnicos em geral.

Dessa forma, há uma grande parcela de jovens com conhecimento superficial sobre o processo político, o que faz com que rejeitem sua própria participação nesse campo, quando poderiam contribuir para a renovação do eleitorado e para a oxigenação do pensamento no país. Tanto que o exercício da política comunitária, partidária, sindical, associativa e, pasmem, estudantil enfrenta sérios problemas de renovação de lideranças, devido à dificuldade de sucessão por novos líderes.

Por fim, precisamos resgatar o debate qualificado em busca de projetos que, de fato, tornem o Brasil mais produtivo, competitivo, igualitário e sustentável. Em geral, boas decisões são tomadas quando se consultam as pessoas que serão afetadas por elas; por isso, é importante a criação de novos instrumentos de participação popular que insiram os jovens na política.

Contudo, enquanto não temos maiores instrumentos digitais de participação direta na nossa democracia, é necessário o engajamento nos espaços onde a política é, de fato, construída, uma vez que, embora as redes sociais sejam importantes meios de promoção de ideias, as decisões que influenciam diretamente nossas vidas e as das pessoas que amamos são tomadas, de fato, em ambientes institucionais — pelo menos por enquanto.  Portanto, é fundamental conhecer os bastidores da política institucional para não repetir discursos dos “piratas de plantão” que disputam poder em nossa democracia.

Caso você se interesse por política, clique e entre para a comunidade Jornada. Nós entraremos em contato com você para apresentar e debater, de forma qualificada, temas relevantes sobre o país, além de conectar você a jovens que compartilham anseios e o desejo de melhorar a sociedade.

Contato da produção: (65) 99276-7539.
Instagram: @jornada_360

Valdemar Almeida é professor e economista, autor do livro “Conforto Financeiro” e fundador da comunidade Jornada 360. Se você gostou do conteúdo, compartilhe com quem possa se interessar por este texto. Siga-me nas redes sociais para enviar sugestões ou críticas respeitosas e para acompanhar os conteúdos da nossa comunidade.”


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